Projeto restaura velhas fachadas

Projeto restaura velhas fachadas

Edifícios históricos do centro de São Paulo estão ganhando cara nova. Isso graças a um programa da prefeitura que oferece desconto de 50% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) durante dois anos a proprietários que restaurarem a fachada de imóveis antigos. “Existem mais de 1000 prédios sendo reformados atualmente, e cerca de dez novos nos procuram a cada mês”, diz Sanderley Fiusa, presidente do ProCentro, órgão da Secretaria da Habitação responsável por esse e outros projetos de revalorização do centro da capital paulista. Um dos imóveis em obras é o edifício Montreal, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer tombado pelo patrimônio histórico.

Um precioso registro baiano

Consumido por um incêndio em 1968, o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, em Salvador, foi totalmente reconstruído em 1995, por iniciativa da empresa Odebrecht. Nenhum detalhe foi perdido e hoje pode-se vislumbrar a imponência do prédio original, construído no século XVII por D. Joana da Silva Guedes de Brito, uma das damas mais ricas do Brasil Colônia. Assim como os demais Liceus, o da Bahia também formava mão-de-obra qualificada. Considerado desde o inicio como uma instituição exemplar na produção de móveis, ainda hoje o Liceu se destaca por suas iniciativas nessa área. Há pouco tempo, promoveu o I Salão Universitário de Design, incentivando novos profissionais.

No Rio, o Liceu está nos parques

Mantido pela Sociedade Propagadora das Belas Artes, o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro sempre promoveu o embelezamento de sua cidade. Muitas das obras espalhadas pelas praças, ruas e avenidas, além de interiores e fachadas de edifícios públicos e particulares, são da autoria de ex-alunos. Por exemplo, a decoração do Palácio Tiradentes e os bustos do jardim do Passeio Público. Mais recentemente o Liceu incorporou onze cursos livres de artes em suas atividades.

Relíquia de nossa história

Quem tem boa memória vai lembrar das mesas marchetadas ou cadeiras com entalhes que os avós apontavam orgulhosos: “É do Liceu”. Tratadas como preciosidades, estas obras-primas de marcenaria acabaram virando símbolos de excelência, consagrando os Liceus de Artes e Ofícios como núcleos geradores de hábeis artesãos. Criados para formar mão-de-obra especializada em vários setores, eles começaram a surgir no 2o Império: Rio de Janeiro (1858), Bahia (1872), São Paulo (1873), Serro, MG (1879), Pernambuco (1880), Santa Catarina (1883), Alagoas e Amazonas (1884), Ouro Preto, MG (1886) e Diamantina, MG (1896).

Entidades independentes, mantidas pela sociedade local, cada uma seguiu seus próprios rumos e dos dez Liceus, apenas os três primeiros ainda existem. Hoje, sua função de escola profissionalizante cedeu lugar a outras atividades, como cursos de artes, museus, cinemas e bibliotecas. Mas a efervescência cultural e artística, marca registrada dos Liceus, ainda hoje está latente. Nos primeiros tempos, jovens habilidosos e dedicados ocupavam suas oficinas de marcenaria, entalhe, fundição, forjaria, pintura, entre outras, desenvolvendo trabalhos primorosos. Muitas dessas obras estão presentes nas ruas, em monumentos, estátuas, construções. Outras, como móveis e esculturas, adquiriram alto valor de mercado.

Paris modernista

Utilizando como referência a Paris modernista dos anos 20, que tinha como principal destaque o arquiteto Le Corbusier, o roteiro ganhou um tempero fantasioso para apontar, sobretudo, os exageros quase ditatoriais do estilo terceirizado e copiado em massa pelos decoradores daquela época, em detrimento da pessoalidade.

Cópias perfeitas de móveis de estilo

Para quem gosta de móveis de estilo, as peças da Department são uma excelente sugestão. A loja executa cópias de móveis ingleses e chineses, com perfeição, em madeira encerada, como mogno. O acabamento pode ser fosco ou semifosco. Lá se encontram também estofados antigos, de linha bem clássica, móveis para jardim de inverno, de junco, e uma série de acessórios de estilo, como porta-revistas, cadeiras, baús, etc. Fazem peças sob encomenda, com acabamento em laca, pele de cabra ou laminado plástico.

Aula de design

O quarto reúne cômoda francesa, mesinha de vidro do modernista francês Le Corbusier e poltronas do alemão Mies van der Rohe. Junto à cama, porém desalinhado em relação à cabeceira, um painel de seda exibe fotos. Na passagem para o banheiro, um porta-partituras do arquiteto Gregori Warchavchik vira revisteiro. Um cavalete apoia a Monalisa contemporânea, assinada por Wilbert. Junto à pia. gaveteiro da Kartell.

Era uma vez um decorador

Ele sabia onde queria viver: em Moinhos de Vento, um bairro de Porto Alegre com poesia no nome e muito charme espalhado nas ruas. Encontrou um prediozinho de cinco andares numa área arborizada. “Tem tudo perto, dá pra resolver a vida a pé.” O que encantou Ari, no entanto, foi a arquitetura art deco. Perguntou para o zelador, mas alguém acertou o aluguel antes dele. O moco não desistiu. Aguardou um ano até conseguir o imóvel. Fez uma pequena reforma, que incluiu duas novas portas na circulação, deixou o banheiro tinindo e o espaço pronto para receber o seu “laboratório de decoração”.

Mobiliário vintage por designers brasileiros

Lá, ele percebeu que o mobiliário vintage fazia enorme sucesso e era inclusive tema de lojas. De volta a sua cidade, em 1997, começou a garimpar peças produzidas pelos designers brasileiros dos anos 40 e 50, como Joaquim Tenreiro e Sérgio Rodrigues. “São móveis fantásticos, feitos de madeiras raras”, explica. Nesse mesmo período, começou também a buscar peças de design internacional fabricadas por empresas brasileiras, como Forma e Teperman. Dois anos depois, seu acervo abarrotava a casa onde morava, e ele decidiu concretizar um sonho antigo: criou a Desmobília, loja especializada em móveis e objetos vintage, que inclui uma oficina de restauração.

Clássicos nacionais e internacionais

Você provavelmente já ouviu falar de alguém fanático por vinhos. Aquele cujo paladar é capaz de distinguir os tipos de uva e coleciona garrafas das boas safras. Ou conhece um apaixonado por automóveis antigos, que cita modelo e ano de fabricação apenas vendo fotografias. O curitibano João Livoti é afícionado por design. Assim como os amantes de vinhos e carros, ele sabe tudo a respeito do motivo de sua paixão, principalmente dos móveis dos anos 30 aos 60, época em que foram criados os clássicos do design moderno. O interesse pelo assunto nasceu na Itália, onde estudou desenho industrial e fotografia.