Relíquia de nossa história

Quem tem boa memória vai lembrar das mesas marchetadas ou cadeiras com entalhes que os avós apontavam orgulhosos: “É do Liceu”. Tratadas como preciosidades, estas obras-primas de marcenaria acabaram virando símbolos de excelência, consagrando os Liceus de Artes e Ofícios como núcleos geradores de hábeis artesãos. Criados para formar mão-de-obra especializada em vários setores, eles começaram a surgir no 2o Império: Rio de Janeiro (1858), Bahia (1872), São Paulo (1873), Serro, MG (1879), Pernambuco (1880), Santa Catarina (1883), Alagoas e Amazonas (1884), Ouro Preto, MG (1886) e Diamantina, MG (1896).

Entidades independentes, mantidas pela sociedade local, cada uma seguiu seus próprios rumos e dos dez Liceus, apenas os três primeiros ainda existem. Hoje, sua função de escola profissionalizante cedeu lugar a outras atividades, como cursos de artes, museus, cinemas e bibliotecas. Mas a efervescência cultural e artística, marca registrada dos Liceus, ainda hoje está latente. Nos primeiros tempos, jovens habilidosos e dedicados ocupavam suas oficinas de marcenaria, entalhe, fundição, forjaria, pintura, entre outras, desenvolvendo trabalhos primorosos. Muitas dessas obras estão presentes nas ruas, em monumentos, estátuas, construções. Outras, como móveis e esculturas, adquiriram alto valor de mercado.

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